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Paty do Alferes

Paty do Alferes, como algumas cidades vizinhas do Centro Sul Fluminense, originou-se de Vassouras e dedicou-se à economia cafeeira. A cidade faz parte das cidades do Ciclo do Café. Seu nome está relacionado a grande quantidade de Patis (palmeiras de pequeno porte) encontradas no local. A cidade tem participação marcante no processo histórico brasileiro, tendo exercido grande papel na colonização da Região do Vale do Ciclo do Café.

No século XVII, havia na região terras do alferes Leonardo Cardoso da Silva, conhecidas como ?roça do alferes?. Havia também muitas palmeiras-patis na localidade, o que rendeu à cidade o nome atual. Depois de fundada, em 1820, a vila de Pati do Alferes viveu uma época de desenvolvimento econômico devido à alta produção de café. Fazendas importantes e imponentes se formaram, como a Pau Grande.

Nesse período, viveu ali o líder negro Manoel Congo, que reuniu escravos fugidos de diversas propriedades da região e acabou sendo preso e enforcado, em 1839. O palco do famoso levante foi a Fazenda Freguesia, construída em 1792, onde foi criada a Aldeia de Arcozelo, em 1965, pelo embaixador Paschoal Carlos Magno, transformada em centro cultural.

Somente em 1987 Paty do Alferes foi emancipada e tornou-se município. A cidade é a maior produtora de tomates do estado e terceira maior do Brasil, título que inspira a Festa do Tomate, um dos maiores eventos do interior fluminense.

■ PONTOS TURÍSTICOS

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Paty do Alferes
A construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Paty do Alferes foi iniciada em 1840, a partir de uma doação de terras e recursos do Capitão-mor de Ordenança Manoel Francisco Xavier e de sua esposa D. Francisca Elisa Xavier.

Em estilo colonial, a Matriz foi construída com estruturas em madeira, paredes frontais de pau-a-pique e decorada com importantes peças trazidas para compor seu acervo tanto de mobiliário quanto de imagens, tais como a da Nossa Senhora da Conceição e da Nossa Senhora do Rosário, ambas do século XIX, que ainda hoje adornam os altares da igreja.

Inaugurada em 31 de maio de 1844 e administrada pela Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, a Matriz sempre destacou-se como um monumento arquitetônico profundamente representativo do mais importante período histórico da região.

Por iniciativa de um de seus párocos mais atuantes, Frei Aurélio Stulzer, em 1943 foram iniciadas as reformas para a comemoração do centenário da Matriz. A restauração, concluída em 1944, ainda trouxe para a igreja a imagem de Nossa Senhora da Piedade, do século XVIII, padroeira da Fazenda de mesmo nome, que pertencera a Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Barão de Paty do Alferes. Nesta ocasião também foram inauguradas a Praça da Matriz e a Galeria dos Fundadores.

Com orientação franciscana desde 1937, a Matriz, em 1973, foi tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, superando os limites municipais dada sua relevância histórica para o país.

Museu da Cachaça
Seus idealizadores, Íris e Iale Renan (hoje falecido), inauguraram o Museu em 1991 e foram necessários anos de pesquisas em bibliotecas e colecionando algumas centenas de garrafas compradas em todos os cantos do Brasil, para montar este acervo vasto e peculiar, que é apresentado aos seus visitantes junto com quadros, coleções de crônicas e artigos, livros especializados, trovas populares, um antigo mini alambique, dentre muitos outras atrações, que compõem a importante história da cachaça.

No Museu da Cachaça também estão instaladas uma indústria artesanal de aguardente, duas adegas e um bar para degustação gratuita. A cachaça que já foi a mais popular de todas as nossas bebidas, é hoje conhecida internacionalmente como o produto tipicamente brasileiro. Ao servir de base para aperitivos como a caipirinha, traduzindo o paladar nacional, ganhou status de produto de exportação e tornou-se mais um símbolo do Brasil para o mundo, tal qual o samba e o futebol.

Centro Cultural Maestro José Figueira
A produção artística e cultural de Paty do Alferes conta com a competente estrutura do Centro Cultural Maestro José Figueira, um dos maiores da nossa região.

Além da arrojada arquitetura, em suas instalações modernas e versáteis realizam-se diversos eventos do município. Exposições, apresentações teatrais, cursos, exibição de vídeos são algumas das atividades desenvolvidas em um ambiente descontraído e extremamente agradável, onde integram-se natureza e arte.

A biblioteca é formada por um rico e variado acervo com mais de 40 mil títulos, uma sala especializada em literatura brasileira, acesso à Internet com monitoramento e possui, ainda, uma área específica para as crianças, estimulando o hábito da leitura de forma alegre e divertida.

Dentro do complexo, o teatro, com 110 lugares, é um dos principais expoentes do Centro dotado de amplo palco, estrutura de luz, som, cenários e confortáveis camarins.

Todo este acervo, disponibilizado para a comunidade de Paty do Alferes, também promove oficinas de pintura, mosaicos, dança, música, grafite, dentre os diversos cursos oferecidos, exposições na Galeria de Arte de artistas locais e da região, apresentações em multimídia e vídeos ampliando os horizontes culturais da população, inclusive com acesso adequado para deficientes físicos.

Centro Cultural Aldeia de Arcozelo
Além dos espetáculos que realiza, é cedido para eventos culturais nacionais e internacionais.  A origem da Aldeia de Arcozelo remonta ao apogeu do ciclo do café. Era a antiga Fazenda da Freguesia, uma das propriedades do Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier, que durante muitos anos foi dos grandes produtores de Paty do Alferes e palco da mais importante fuga de escravos da região, liderada por Manoel Congo.

Pelas mãos do Embaixador Paschoal Carlos Magno, transformou-se na Aldeia de Arcozelo, um complexo cultural com o objetivo de ser um centro permanente de realizações artísticas.

Através do sonho de Paschoal, um dos nomes de maior relevância na trajetória do teatro brasileiro, foram construídos o Anfiteatro Itália Fausta, o Teatro Renato Vianna, salas de exposições e oficinas, a Biblioteca, além de uma área reservada para hospedagem e alimentação dos participantes de eventos lá realizados, tais como o Festival de Teatro Amador do Estado do Rio de Janeiro e o Encontro de Corais das Escolas Estaduais do Rio de Janeiro.

Câmara Municipal
Datado de 1881, o prédio que abriga a Câmara Municipal é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). É ladeado por palmeiras imperiais e seu interior é decorado com azulejos portugueses.

Caminho do Imperador
O Caminho do Imperador foi a primeira via para pedestres e animais construída no início do século XVIII ligando o Rio de Janeiro a Minas Gerais. O Imperador passava pela região, principalmente no início do ciclo do ouro, quando viajava a Minas.

O relevo local fez com que passasse a ser conhecido como ”mar de morros”. Em um ponto do Vale, com altitude de 1.100 metros, está a “Mesa do Imperador”, de onde se avista a Ponte Rio-Niterói e o Cristo Redentor em dias claros. É possível percorrer a trilha em mata virgem, cortada por riachos e quedas d´água cristalina.

Uma atração à parte no Caminho do Imperador é a gruta do Quilombo de Manoel Congo. Segundo conta a história, no ano de 1838, partiram da Fazenda da Freguesia, hoje Arcozelo, em Paty do Alferes, 300 escravos liderados pelo africano Manoel Congo, em direção à serra de Santa Catarina, onde fundaram um quilombo. Trechos da estrada foram tombados pelo Inepac em 1984. O Caminho do Imperador está localizado no Vale das Princesas, região de serra que abrange Miguel Pereira, Paty do Alferes e Petrópolis.

■ EVENTOS

Festa do Tomate
Inspirado na Festa da Uva, de Caxias do Sul (RS), o evento é uma das grandes atrações de Paty do Alferes. Tudo começou em 1979, quando a Secretaria de Agricultura e Agropecuária do Rio de Janeiro (Emater) e a Central de Abastecimento do Estado do Rio de Janeiro (Ceasa-RJ) promoveram uma semana técnica de aprimoramento e entretenimento para os produtores rurais da cidade, que está entre as três maiores fornecedoras de tomate do estado. O encontro deu tão certo que o fruto virou festa.

Na época, o evento era uma pequena confraternização entre produtores e técnicos agrícolas , com atrações como artistas circenses e leilões de animais. Quando Paty do Alferes se emancipou, em 1987, a Festa do Tomate ganhou impulso, principalmente com a inauguração do Parque de Exposição Amaury Monteiro Pullig. Hoje o evento atrai nada menos que 40 mil pessoas diariamente – todas em busca das delícias doces e salgadas do versátil tomate. Além das iguarias, a festa é animada por atrações musicais e os concursos Rainha da Festa, Culinária do Tomate, Qualidade do Tomate e o Concurso Leiteiro.

Fazenda Pau Grande
A sede suntuosa da Fazenda Pau Grande foi construída entre 1797 e 1810. Uma das primeiras da região, a Pau Grande foi fértil produtora de açúcar. A partir de 1810, dedicou-se à lavoura de café e se tornou uma das mais importantes produtoras do Vale do Paraíba.

Pertenceu à família Ribeiro de Avellar, também proprietária da Fazenda Boa Esperança. O enorme casarão com planta em forma de “U” tem as duas alas unidas por capela e ainda guarda mobiliário e fotos de época. Possui 17 janelas de frente, das quais 16 com balcão de ferro. Tem um pátio nos fundos e, na frente, estão as antigas instalações do grande engenho. A visitação só é permitida com autorização prévia.

■ COMO CHEGAR

De Carro:
Distante aproximadamente 150 km do Centro do Rio de Janeiro. Pegar a Av. Brasil sentido São Paulo, entrar na Linha Vermelha e seguindo a Rodovia Presidente Dutra até a saída 204 (fica a 1 km antes do 1° pedágio e a 500m do 1° SOS). Percorra a RJ 125 até o final, passando pelo Posto da Polícia Rodoviária. Suba a serra por 9 km, onde passará por Governador Portela, Barão de Javary, Miguel Pereira e chegando a Paty do Alferes .

De Ônibus:
Terminal Rodoviário Novo Rio. A viação UTIL realiza o trecho Rio de Janeiro x Arcozelo, passando por Miguel Pereira e Paty do Alferes.

■ MAPA DA REGIÃO