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Paranapiacaba - SP
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Informações

Paranapiacaba é um distrito do município brasileiro de Santo André (estado de São Paulo). Surgiu inicialmente como residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway - estrada de ferro que possibilitava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos, e vice-versa.

A Vila de Paranapiacaba é, no Brasil, a única Vila Ferroviária conservada desde sua fundação. Localizada na região sudeste do Município de Santo André, no limite entre o Planalto Paulista e a Serra do Mar, Paranapiacaba reúne um dos mais expressivos patrimônios culturais e naturais do território brasileiro, por sua singularidade, sendo uma das últimas reservas da mata atlântica do Brasil, como também um precioso patrimônio histórico e pelo sistema de trabalho e tecnologia usados na construção e operação da linha férrea no desnível da Serra do Mar.

Em abril de 2003 com a visita do grupo World Monuments Fund - WMF, ONG de origem norte americana que lista 100 bens anuais reconhecidos como patrimônio histórico que necessitam de trabalhos para a sua preservação, Paranapiacaba apareceu como patrimônio cultural mundial, dentro de uma lista internacional organizada pela WMF, que ao mesmo tempo denuncia a necessidade de recuperação dos patrimônios históricos mundiais e os reconhece como tal.

O patrimônio de Paranapiacaba é constituído de exemplares arquitetônicos do final do século XIX que juntos, formam uma gama de variedades de arquitetura, equipamentos ferroviários e, soluções urbanas de grande relevância histórico-tecnológica.

História & Cultura

No século XIX, a economia brasileira baseava-se quase que exclusivamente em um único produto de exportação: o café. Este, gradativamente, ganhou espaço como um bem de grande valor comercial e possibilitou o surgimento, aqui, da "single enterprise" ferroviária. Assim, em 1854, por iniciativa do Barão de Mauá, a concessão da ferrovia a ser construída foi cedida a São Paulo Railway Company pelo prazo de 90 anos. A ferrovia trouxe da Europa toda uma tecnologia inaugurada a partir da invenção do vapor, mas, aqui em São Paulo, enfrentou o desafio de vencer o grande desnível que separava o planalto paulistano da Baixada Santista, ou seja, a ligação das principais regiões produtoras de café ao seu terminal exportador, o porto de Santos. A solução desse problema exigiu muito tempo e demandou grandes capitais bancados pela Inglaterra.
 
A 15 de maio de 1860, as obras foram iniciadas. Durante os trabalhos de preparação do leito e instalação da linha com 139 km foi necessário que se constituísse um acampamento no alto da serra do Mar a 796 m de altitude. O local escolhido para o acampamento principal ficava no topo da serra e era próximo das obras. Esse local - que era um vale circundado por morros onde a Companhia, circunstancialmente, instalou o pessoal operacional, técnico e administrativo do sistema ferroviário - denominou-se Alto da Serra.
 
Não se pode afirmar com precisão quando se formou a Parte Alta, mas sabe-se, com certeza, que ela nasceu através da implantação da ferrovia e, quando esta foi inaugurada em 1867, uma pequena aglomeração já existia na Parte Alta. Era um pequeno povoado de casas de pau-a-pique e palha, quando Bento José Rodrigues da Silva, saindo de Mogi das Cruzes, construiu uma picada que finalizava no Alto da Serra. No local de chegada, em 1889, foi erigida a igreja matriz.

A São Paulo Railway inaugurou sua linha férrea em 1º de janeiro de 1867. Ela primeiramente serviu como transporte de passageiros de Santos a São Paulo e Jundiaí (última estação); também serviu como escoamento da produção de café da província paulista para o porto de Santos. Em 1874, é inaugurada a Estação do Alto da Serra, que mais tarde seria denominada Paranapiacaba.
 
No ano de 1898, é erguida uma nova estação com madeira, ferro e telhas francesas trazidos da Inglaterra. Esta estação tinha como característica principal o grande relógio fabricado pela Johnny Walker Benson, de Londres, que se destacava no meio da neblina - muito comum naquela região.
 
Com o aumento do volume e peso da carga transportada, foi iniciado em 1896 a duplicação da linha férrea, paralela à primeira, a fim de atender à forte demanda. Essa nova linha, também denominada de Serra Nova, era formada por 5 planos inclinados e 5 patamares, criando um novo sistema funicular. Os assim chamados novos planos inclinados atravessavam 11 túneis em plena rocha, enfrentando o desnível de 796 metros que se iniciava no sopé da serra, em Piaçagüera no município de Cubatão. O traçado da ferrovia foi retificado e suavizado e ampliaram-se os edifícios operacionais. A inauguração deu-se em 28 de dezembro de 1901.
 
A primeira estação foi desativada e reutilizada, posteriormente, como cooperativa dos planos inclinados. A 15 de julho de 1945, a Estação do Alto da Serra passa a se denominar Estação de Paranapiacaba. A 13 de outubro de 1946, a São Paulo Railway foi encampada pela União, criando-se a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Somente em 1950 a rede passa a unir-se à Rede Ferroviária Federal.
 
Em 1974, é inaugurada o sistema de cremalheira aderência. No ano de 1977 a segunda estação foi desativada dando lugar à atual estação. O relógio é transferido do alto da estação anterior para a base de tijolo de barro atual. A 14 de janeiro de 1981, ocorreu um incêndio na antiga estação, destruindo-a completamente. O sistema funicular foi desativado em 1982.
 
Por concessão, um grupo inglês explorou o sistema ferroviário na Serra do Mar. E o primeiro sistema implementado foi o Sistema Funicular: com cabos e máquinas fixas. A primeira linha, com onze quilômetros de extensão, foi inaugurada em 1867 pelo grupo São Paulo Railway. Ela começou a ser construída em 1862 e teve como um dos maiores acionistas e idealizadores o lendário Barão de Mauá. Em 1859, ele chamou o engenheiro ferroviário britânico James Brunlees, que veio ao Brasil e deu viabilidade ao projeto. A execução de tal projeto foi de responsabilidade de outro engenheiro inglês, Daniel Makinson Fox. Um ponto curioso é que pela instabilidade do terreno, a construção da estrada de ferro foi quase artesanal. Não se utilizou explosivos por medo de desmoronamento. As rochas foram cortadas com pregos e pequenas ferramentas manuais. Paredões de até 3 metros e 20 centímetros de altura foram construídos ao logo do traçado da estrada de ferro. A segunda linha começou a funcionar em 1900.
 
Além de dar mais força ao sistema, os cabos e as máquinas fixas economizam energia para a operação dos trens.

No entanto, vários acidentes eram registrados, principalmente pelo rompimento dos cabos. Havia uma espécie de freio, a tenaz, que agarrava os cabos para evitar a saída dos trens dos trilhos. Nem sempre o sistema, no entanto, funcionava de maneira satisfatória. Em 1956, um grande acidente foi evitado pelo maquinista na época, Romão Justo Filho, nascido em Paranapiacaba no mês de março de 1911, filho de maquinista também. Se a composição descarrilasse, cerca de 150 pessoas poderiam perder a vida. Através da utilização correta do sistema da tenaz, Romão foi “agarrando” aos poucos o cabo até que o trem parasse.
 
Os cabos do locobreque levavam desenvolvimento e riqueza para a região do ABC Paulista e de Santos. Tanto é que a companhia inglesa criou em 1896 uma vila essencialmente de ferroviários, com construções de madeira no estilo inglês. Em 1907, a Vila foi chamada de Paranapiacapa, mas até 1945 a estação continuou a ser chamada de Alto da Serra. A Vila possuía todos os recursos da época para os maquinistas, fiscais e “foguistas” – responsáveis pela alimentação da fornalha da máquina fixa e da máquina dos trens.
 
Além de um mercado, de um posto de saúde, de um vagão-ambulância e até um vagão funerário, onde o velório era feito dentro da composição entre Santos e Paranapiacaba, os funcionários possuíam um centro de recreação, o União Lira Serrano, e um Campo de Futebol. No União Lira Serrano eram exibidos filmes, shows musicais e realizados bailes temáticos.
 
A concessão da linha da Serra do Mar não foi apenas glórias e desenvolvimento. Fatos até hoje não explicados satisfatoriamente marcaram a história dos trilhos por onde circularam os Locobreques. Exemplos são os incêndios da Estação da Luz, dois dias antes da primeira etapa da concessão dos ingleses terminar, em 1946, e na velha estação de Paranapiacaba, em 1981. Antes mesmo do incêndio, a estação já havia sido desativada em 1977 e substituída pelo prédio atual. O relógio estilo inglês foi poupado no incêndio e deslocado para uma torre mais alta que a anterior.
 
Nos dois incêndios, tanto na Estação da Luz quanto em Paranapiacaba, a suspeita principal é de motivação criminosa.
 
Milhões de reais foram gastos para a reconstrução da Estação da Luz, que passou por décadas ainda sentido os efeitos do incêndio. Tanto é que ela teve de ser restaurada. A obra de restauração completa foi entregue somente em 2004, data dos 450 anos da cidade de São Paulo. A Estação da Luz teve três etapas fundamentais: Ela foi inaugurada em 1867, num pequeno prédio na região central da capital paulista. A demanda de passageiros foi aumentando aos poucos, e cerca de 15 anos depois o pequeno prédio foi demolido e um outro maior foi construído. A cidade crescia muito rapidamente e a estação teve de aumentar ainda mais. Em 1890 começaram as obras da estação na configuração atual. Em 1900, o segundo prédio antigo foi demolido e em 1901, a nova estação foi inaugurada. Obras constantes de modificações e ampliações foram realizadas ao longo das décadas na Estação da Luz, já que além da demanda de passageiros ser maior, o número de linhas férreas urbanas também cresceu. Antes mesmo do Locobreque, na Serra do Mar, uma primitiva máquina de madeira, também tracionada por cabos fazia o transporte entre os cinco patamares. Era a Serrabreque.
 
Durante a operação da Serrabreque, Barão de Mauá era um dos administradores. Posteriormente, na vila de Paranapiacaba, os ingleses, no alto de uma subida, construíram uma mansão, que servia de centro de controle operacional. Apelidada pelos ferroviários de “Castelinho”, a posição do local proporcionava uma privilegiada visão do sistema e de toda a estrutura da vila de Paranapiacaba. O sistema ferroviário da Serra do Mar era composto por diversos túneis, que eram alvos de lendas e histórias assombradas disseminadas pelos próprios ferroviários. Algumas dessas lendas tiveram origem no fato de muitos operários terem morrido na construção desses túneis.

Clima & Geografia

Tropical úmido com um inverno pouco rigoroso e uma neblina constante. O índice pluviométrico da região é acima de 2.000 mm, atualmente Paranapiacaba detém é o título de cidade que mais chove no Brasil.
 
A Vila de Paranapiacaba é coberta por uma floresta pluvial, montana ou baixo montana, que é uma espécie de floresta tropical onde a temperatura mais baixa e da altitude local interferem nas características básicas. Além disso, há mata atlântica que abriga animais e plantas em extinção.

O relevo é Irregular e montanhoso, composto por rochas cristalinas e faz parte do planalto Atlântico. Vales e baixadas cruzam diversos córregos que ajudam na formação de rio maiores como o rio Grande. As montanhas são constituídas por rochas muito duras, bem resistentes à erosão.
 

Como chegar

Ônibus
No Terminal de ônibus Santo André Oeste, no centro de Santo André, no ABC Paulista, há um ônibus, com intervalos médios de 40 minutos, que vai direto para Paranapiacaba. A linha é AOL 040 (Paranapiacaba/Santo André), da Viação Ribeirão Pires. É uma linha intermunicipal, com a pintura padrão da EMTU, que passa pela Perimetral de Santo André, pelo Centro de Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra até chegar na parte alta da Vila de Paranapiacaba.

Carro pela Via Anchieta
(Aproximadamente 45km contados a partir do início da Via Anchieta)

Partindo de São Paulo, siga pela Via Anchieta (SP150) entrando no Riacho Grande logo após o fim da represa. Mantenha-se a esquerda e passe por baixo da Anchieta. Siga em frente e entre a esquerda na Rodovia Índio Tibiriçá (SP31). Siga até o KM 44 e entre a esquerda para Paranapiacaba. Entre a direita passando por baixo da Índio Tibiriçá e siga em frente.

Bem a frente (quase chegando) onde observa-se o Cristo no alto de um morrinho à esquerda existe a opção de entrar a esquerda e seguir 5km por uma estrada de terra até a parte baixa da cidade. Caso opte por seguir em frente a estrada levará até a parte alta da cidade.

Carro por Mauá
A partir do Centro Alto de Mauá (Região do Bairro matriz) seguir direto pela Avenida Capitão João até o final, chegando em Ribeirão Pires, sempre continue reto pela Av. Humberto de Campos e Av. Santo André até acessar a rodovia SP-122 que termina em Paranapiacaba, em frente ao cemitério.

Trem
Linha D da CPTM. Atualmente o trem chega somente até a estação Rio Grande da Serra, precisando continuar o trajeto até Paranapiacaba por meio de ônibus, pois dai em diante circulam somente trens de carga da MRS Logística (empresa de trens e concessionária responsável pela linha, junto com a CPTM).

 
Fonte: Wikipedia, Prefeitura e Paranapiacaba Ecoturismo


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