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 Salvador - BA
Salvador
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Foto: Christian Knepper / EMBRATUR
 História & Cultura
As ruas são uma viagem no tempo pela história do Brasil. Declarado pela UNESCO como Património da Humanidade, o Centro Histórico possui milhares de casarões dos séculos XVI, XVII e XVIII, divididos em três áreas principais: da Praça Municipal ao Largo de São Francisco, o Pelourinho e o Largo do Carmo, e o Largo de Santo António. São igrejas e casarões seculares, repletos de actividades culturais.

A história da cidade de Salvador inicia-se 48 anos antes de sua fundação oficial com a descoberta da Baía de Todos os Santos, em 1501. A Baía reunia qualidades portuárias e de localização, o que a tornou referência para os navegadores, passando a ser um dos pontos mais conhecidos e visitados do Novo Mundo. Isso fomentou a idéia de construção da cidade. O rei D. João III, então, nomeou o militar e político Thomé de Sousa para ser o Governador-geral do Brasil e fundar, às margens da Baía, a primeira metrópole portuguesa na América.

Em 29 de março de 1549, a armada portuguesa aportava na Vila Velha (hoje Porto da Barra), comandada pelo português Diogo Alvares, o Caramuru. Era fundada oficialmente a cidade de Cidade do São Salvador da Baía de Todos os Santos, que desempenhou um papel estratégico na defesa e expansão do domínio lusitano entre os séculos XVI e XVIII, sendo a capital do Brasil de 1549 a 1763.

O trecho que vai da atual Praça Castro Alves até a Praça Municipal, o plano mais alto do sítio, foi escolhido para a construção da cidade fortaleza. Thomé de Souza chegou com uma tripulação de cerca de mil homens – entre voluntários, marinheiros soldados e sacerdotes, que ajudaram na fundação e povoação de Salvador.

Em 1550, os primeiros escravos africanos vieram da Nigéria, Angola, Senegal, Congo, Benin, Etiópia e Moçambique. Com o trabalho deles, a cidade prosperou, principalmente devido a atividade portuária, cultura da cana de açúcar e comercialização o algodão o fumo e gado do Recôncavo.

A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Durante 11 meses, de maio de 1624 ao mês de abril de 1625, Salvador ficou sob ocupação holandesa. Em 1638, mais uma tentativa de invasão da Holanda, desta vez com o Conde Maurício de Nassau que não obteve êxito.

A cidade foi escolhida como refúgio pela família real portuguesa ao fugir das investidas de Napoleão na Europa, em 1808. Nessa ocasião, o príncipe regente D. João abriu os portos às nações amigas e fundou a escola médico-cirúrgica, primeira faculdade de medicina do País.

Em 1823, mesmo um ano depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do Brigadeiro Madeira de Mello. No dia 2 de julho do mesmo ano, Salvador foi palco de um dos mais importantes acontecimentos históricos para o estado e que consolidou a total independência do Brasil. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.

Dos planos iniciais de D. João III, expressos na ordem de aqui ser construída "A fortaleza e povoação grande e forte", o compromisso foi cumprido por Thomé de Souza e continuado pelos que os sucedem. São filhos de Catarina e Caramuru, que se misturaram com os negros da mãe África e legaram à Salvador a força de suas raças criando um povo “gigante pela própria natureza”.

A fusão secular das etnias negras, brancas e indígenas moldaram em Salvador uma identidade cultural extremamente rica e pluralista, com tradições preservadas em manifestações populares e cultos que ainda povoam as ruas da cidade. Dentre eles, destacam-se:

Capoeira: misto de luta e dança surgido entre os escravos de origem angolana - considerado um temível meio de ataque e defesa -, sofreu todo tipo de perseguição, o que, segundo historiadores, ensejou a sua evolução para a forma de dança, como estratégia de preservação. Os oponentes "jogam" a capoeira ao som do berimbau, cânticos, ladainhas e palmas, em movimentos gingados que exigem ritmo, destreza e disciplina. Os principais centros de capoeira da cidade são a ACAL - Associação Capoeira Arte Luta (Ondina), Associação de Capoeira Mestre Bimba (Pelourinho), Associação Cultural Capoeira Angola e Forte Santo Antônio.

Maculelê: acredita-se ter evoluído do cucumbi (antigo folguedo de negros) até tornar-se um misto de dança e jogo de facões, chamados gringas, com os quais os participantes desferem e aparam golpes.

Samba de Roda: manifestação de origem angolana, de extrema sensualidade, em que a figura central da roda de samba passa a primazia a outra através de uma umbigada. As músicas alegres e maliciosas são acompanhadas por palmas, podendo entrar pandeiros, violas, violões e timbales.

Reisado: denominação comum aos ternos e ranchos que se apresentam na Festa de Reis (6 de janeiro), no largo da Lapinha. Os participantes costumam usar roupas de tecidos vistosos, ornamentadas com miçangas. O rancho é um grupo mais pândego e liberal, enquanto o terno é mais sério e composto por pastores e pastoras que se apresentam com alegorias que simbolizam os personagens do Natal.

Candomblé: manifestação mais expressiva e rica das religiões afro-brasileiras, sofreu transformações ao longo dos séculos que, se por um lado sincretizaram o seu conteúdo, por outro permitiram a preservação de elementos essenciais da identidade cultural dos negros africanos escravizados no Brasil. O candomblé é diretamente ligado às forças da natureza, cujos elementos são representados por deuses e deusas, chamados de Orixás e que recebem cultos e rituais especiais. O Orixá é um ancestral divinizado que, em vida, estabelece vínculo com certas forças da natureza, como o trovão, o vento, as águas doces e salgadas ou o exercício de atividades como a caça, o trabalho com metais, o conhecimento das propriedades das plantas e da sua utilização.